Inovação: não importa a ideia, mas sim o valor que você pode extrair dela

Que ideias inovadoras são de extrema importância isso é algo que já não precisamos mais discutir, mas há uma perceptível falta de nivelamento sobre o que é ou não inovação e que precisa ser resolvido se quisermos trabalhar com pessoas que possuam uma “visão além do alcance”.

Inovação não é apenas aquela ideia de “1 milhão de dólares“, inovação vai muito além de termos insights que ninguém jamais teve. Inovação é algo que que se pratica todos os dias, é algo que começamos de baixo com pequenas mudanças de comportamento e mentalidade que podem gerar grande impacto em tudo o que fazemos em nossas vidas.

Um texto de autoria de Scott Anthony, autor do livro “The Little Black Book of Innovation”, publicado na Harvard Business Review (2012) com o título: “Inovação é disciplina, não um clichê” (no português livre), trata exatamente deste problema.

Scott trata inovação de uma forma abrangente definindo-a como “algo diferente que causa impacto”, simples assim.

Um trecho mais abrangente do seu livro mencionado define inovação como (em inglês):
“Innovation is a process that combines discovering an opportunity, blueprinting an idea to seize that opportunity, and implementing that idea to achieve results. Remember — no impact, no innovation.”

Inovação não se trata apenas de ideias, se trata de combinação, de unir diversos know-hows distintos que possui e enxergar oportunidades em diferentes pontos, sempre pensando em curto, médio e longo prazo (visão além do alcance), pois as vezes a inovação só é atingida após certo estágio de maturidade de algo em que esteja trabalhando (não se sobe um prédio sem sua fundação, tudo é feito um passo de cada vez).

Esta semana alguns de meus alunos pediram minha opinião sobre a ideia que haviam escolhido para desenvolverem a modelagem de um sistema, que seja como pré-requisito inovador, para a disciplina de Modelagem de Software que estão cursando. Iniciamos a conversa com uma aluna contando que “jogaram um balde de água fria” nela sobre ter pensado em modelar um sistema online de locação e leitura de livros pois já existia algo com a proposta no mercado.

Por estarem fortemente apegados ao fato de que algo inovador é algo estritamente novo todos estavam “perdidos” sobre o que poderiam “inventar” e para desmistificar essa ideia de “algo completamente novo” utilizei o exemplo da locação de livros para leitura online.

A princípio tentei deixar claro do quão boa se trata a ideia pois através dela é possível levarmos grandes títulos a locais onde há baixa disponibilidade de livros físicos como em universidades e escolas de países mais pobres e a pessoas de baixa renda. Além de ser uma boa ideia há outro fator muito importante nesta ideia é uma ideia que apresenta propósito, visão social em sua utilização, mostrei a eles que não apenas a ideia em si deve proporcionar a inovação, mas sim qual o valor que ela agrega além de sua funcionalidade principal.

Como exemplo comentei que poderiam fornecer uma inteligência para recomendação de novas leituras, o fornecimento de dados a editoras para fazer um melhor direcionamento da oferta de novos títulos analisando o comportamento do gosto dos usuários, desenvolverem áreas para nichos específicos como poetas amadores, escritores de fanfiction ou até mesmo de terror, unir pessoas com o mesmo gosto de leitura para que troquem experiências e recomendações entre si através do formato de rede social e algumas outras oportunidades que podem ser agregadas a algo que já existe, mas que claramente não foi explorado em sua totalidade, ou seja, há oportunidades ainda não exploradas pelo que possuímos atualmente no mercado.

Nestes poucos minutos de conversa pude convencê-los de que mesmo sem uma ideia estritamente nova ainda seriam capazes de a partir de algo pré-existente combinarem e adicionarem novas funcionalidades capazes de trazer valor de forma ainda não explorada pelo mercado, criando algo não “exatamente novo”, mas inovador e que traz valor.

Acredito que a visão sobre o que é ou não inovação deve ser apresentada de forma menos romantizada, menos ineditista e mais combinativa e proporcionadora de valor e não nos esquecermos de que o Iphone foi sim uma grande inovação, mas tudo o que ele trouxe foi a combinação de tecnologias que já existiam há muitos anos e tudo o que a Apple fez foi combiná-las de forma inteligente e agradável para apresentá-las ao mundo.

Marvin Ferreira

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